Diabetes: uma das principais causas de doença renal

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O Diabetes está entre as principais causas de Doença Renal Crônica (DRC) no mundo, podendo levar aos estágios mais avançados da doença.

Estima-se que cerca de um terço das pessoas com diabetes possa desenvolver doença renal relacionada à condição. O risco depende de fatores genéticos, mas também está diretamente ligado ao controle adequado da glicemia ao longo do tempo.

Uma doença que pode ser silenciosa

Nos estágios iniciais, a doença renal associada ao diabetes costuma não causar sintomas. Por isso, o diagnóstico depende de suspeita clínica e exames laboratoriais periódicos.

Os principais exames utilizados para rastreamento são:

  • ➡️ Exame de urina, para detectar a presença de albumina (proteína na urina)
  • ➡️ Dosagem de creatinina no sangue, utilizada para avaliar a função dos rins

Por que o diagnóstico precoce é tão importante?

Identificar a doença renal precocemente permite iniciar medidas de tratamento capazes de:

  • ➡️ Reduzir ou retardar a progressão da doença renal
  • ➡️ Diminuir o risco de complicações cardiovasculares, como infarto e insuficiência cardíaca

Avanços no tratamento

Até o início dos anos 2000, as principais medicações utilizadas para proteção renal em pacientes com diabetes eram:

  • ➡️ Inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA) – medicamentos da família dos “pril” (ex. enalapril, perindopril, ramipril)
  • ➡️ Bloqueadores do receptor de angiotensina (BRA) – da família dos “sartana” (como losartana, olmesartana, valsartana)

Nos últimos anos, porém, importantes avanços ampliaram as opções terapêuticas.

Em 2018, passaram a ser incorporados ao tratamento os inibidores de SGLT2, como dapagliflozina e empagliflozina, com resultados muito positivos na proteção dos rins e do sistema cardiovascular.

Em 2020, surgiram também os antagonistas do receptor mineralocorticoide não esteroidais, como a finerenona, demonstrando benefícios adicionais na redução da progressão da doença renal e das complicações cardiovasculares.

Mais recentemente, estudos publicados em 2024 mostraram resultados promissores com a semaglutida, um agonista do receptor de GLP-1, também contribuindo para a proteção renal em pacientes com diabetes tipo 2.

Uma nova realidade no tratamento

Diferentemente do que ocorria há alguns anos, hoje contamos com um arsenal terapêutico mais amplo e eficaz para tratar a doença renal associada ao diabetes.

Essas terapias permitem maior estabilização da função renal, além de reduzir o risco de progressão para estágios avançados da doença e necessidade de diálise.

Fique atento:

Para que a doença renal diabética seja tratada, ela precisa ser diagnosticada.

Se você tem diabetes, procure realizar avaliação periódica da função dos rins.

E, caso receba o diagnóstico de doença renal associada ao diabetes, a avaliação com nefrologista é fundamental para definir o tratamento mais adequado.

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Por:

Foto de Dra. Juliana Maria Gera Abrão

Dra. Juliana Maria Gera Abrão

Nefrologia e Clínica Médica - CRM/SP 111940 – RQE 42837